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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Enquanto Eles Não Vêm: Referências



Quem me conhece sabe da minha fascinação pelas obras que me inspiram. Em meados de 2013, após lançar uma trilogia sobre piratas, escrevi uma matéria na qual compartilhei as minhas maiores influências. Livros, filmes, séries, quadrinhos, jogos, personalidades... Repeti o método em 2016, após lançar Sacanas do Asfalto e divulgar a importância do cinema de Quentin Tarantino para a composição da obra. E aqui estamos no terceiro round, onde abrirei as páginas de Enquanto Eles Não Vêm e compartilharei as suas principais raízes.
Embora seja recomendado para os amantes de suspense e terror, Enquanto Eles Não Vêm, antes de mais nada, é um entretenimento para qualquer pessoa. Eu o descrevo como um livro geek, o tipo de obra dedicada aos leitores que se aventuram por diversos gêneros.
Lançado inicialmente na Amazon, o verdinho chamou a atenção de muita gente pela sua capa lovecraftiana e pelo enredo regado de mistério. Na pele de David e Lívia (dois membros de um batalhão de operações especiais), o leitor mergulha em uma história repleta de ação e horror, com cenários amedrontadores e criaturas que desafiam o nosso entendimento. Desde a minha adolescência, já alimentava o desejo de escrever algo que remetesse a diversas facetas do terror, pois em especial, este é um gênero que marcou a minha vida. Cresci lendo H.P. Lovecraft, Stephen King, Clive Barker, Dean Koontz, Bram Stoker, Agatha Christie e dentre outros escritores, o que reforçou o peso da sua influência no meu processo criativo. Além deles, muitos filmes, jogos, músicas, quadrinhos e personalidades que definem a cultura pop impulsionaram a minha inspiração, fazendo com que Enquanto Eles Não Vêm se tornasse realidade.
Nesta postagem especial, reunirei as principais referências do livro e irei contextualizá-las dentro do meu universo literário! E fiquem espertos: a matéria pode conter spoilers!


Antes de pensar em lançar a edição física do livro, recebi o apoio do meu amigo e capista LucasOdersvank, da INDIE 6. Após meses de conversa e estudo, conseguimos transportar a atmosfera do livro para a capa:


Para o design da capa foram buscadas as referências do universo literário do Robson, como a estética de Tarantino, Resident Evil, Castlevania, os cartazes de filmes de terror e ficção científica dos anos 70 e 80 e, claro, as referências à obra de H.P. Lovecraft. No estudo de cores, o verde surgiu como uma cor mágica que traduziu perfeitamente a essência da obra e insiste em colar-se à retina. A recepção do público foi estridente e tivemos a certeza de ter acertado em cheio.”
Lucas Odersvank

As principais inspirações para a capa foram as obras de H.P. Lovecraft e alguns jogos de Survival Horror, partindo de uma estética mais oitentista, onde o horror e a ficção científica estavam em alta.


Ao longo do livro, temos algumas cenas, citações e situações que remetem a algumas obras que me inspiraram. Vamos começar pelo Prólogo, com uma cena na qual um personagem lê um livro peculiar.

Pág. 11:
“O garoto sentou-se à mesa da sua humilde casa e folheou um livro antigo, escrito por Howard Philips Lovecraft. Escolheu um conto e começou a ler em silêncio: Infeliz é aquele cujas memórias de infância lhe trazem apenas medo e tristeza.”
O conto em questão se chama O Forasteiro, escrito em 1921 e publicado em 1926 pela revista Weird Tales:


Pág. 66:
“David imaginou um grupo de delinquentes armados cercando o posto, ao passo que Lívia se viu cercada por mariposas gigantes, sedentas pelo seu sangue.”
O trecho faz referência ao livro Fantasmas, de Dean Koontz, publicado em 1983. A situação apavorante, vivida pelos personagens, é inspirada em uma cena do filme homônimo de 1998, adaptado da obra de Koontz:


Pág. 110:

“Ergueram a face e admiraram a mansão por completa. Enquanto fitavam os blocos de concreto, David e Lívia foram embargados por uma tristeza nunca antes sentida em suas vidas. De repente, estavam abatidos e fraquejados, como se a casa os tivesse envolvido com um véu angustiante.”
O trecho é uma referência ao conto A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe:


Pág. 113:
“Desta vez quem riu foi a parceira, recordando-se dos terríveis palhaços que via nos circos da sua terra natal. Não contara a ninguém, mas morria de medo de palhaços.
— Espero que o Pennywise não esteja perdido por aqui.”
Referência a IT, de Stephen King:


Pág. 193:
“Quando a porta troou ao fechar-se, David e Lívia se viram cercados por milhares de receios mórbidos, perdidos em meio a uma nova esfera de mistério e solidão. Enfim… A biblioteca. É necessário afirmar que o cômodo gigante parecia estar deserto, embora proporcionasse aos intrusos a inevitável percepção de que vidas desconhecidas, invisíveis aos seus olhos, espreitavam por detrás das prateleiras inacabáveis.”
A chegada dos personagens a biblioteca da mansão é uma leve referência a Dracula, de Bram Stoker, com a chegada de Jonathan Harker ao castelo:



Em virtude da influência das obras acima citadas e de outros fatores que serão apresentados mais para a frente, Enquanto Eles Não Vêm é permeado por uma forte estética americana (ainda que seu enredo principal seja ambientado no Brasil). Isso também se deve a alguns personagens (dois deles de dupla nacionalidade), que veremos a seguir.


David Felipe Cordova é filho de mãe brasileira e pai norte-americano. Deixou a vida estrangeira para integrar a COPS, uma unidade de operações especiais.
O nome David é uma homenagem ao personagem David Drayton, do conto O Nevoeiro, de Stephen King.
O sobrenome Cordova é uma homenagem a personagem Dizzy Cordova, da série de quadrinhos 100 Balas, de Brian Azzarello e Eduardo Risso.


Para as ilustrações, David Cordova foi inspirado no ator Marco Pigossi.


Lívia Sanches é brasileira e também faz parte da COPS.
O sobrenome Sanches é inspirado no sobrenome da personagem Chris Sanchez, vivida pela atriz Michele Rodriguez no filme SWAT – Comando Especial, de 2003.


Para os desenhos, Lívia Sanches foi levemente inspirada na atriz Zoe Saldana.


Desmond Kennedy possui nacionalidade brasileira e americana e também integra a COPS como capitão. Ele é apelidado de Guile, por causa do cabelo louro espetado, e também é conhecido como Deke.
O primeiro apelido é uma referência ao personagem Guile, do jogo de luta Street Fighter.
O diminutivo Deke é uma homenagem a um personagem de mesmo nome, do jogo Fear Effect, de 1999. A ideia de conceder esse apelido para Desmond surgiu em 2006, enquanto eu lia um detonado do Fear Effect.
Para as ilustrações, Desmond Kennedy foi inspirado no ator Jai Courtney:



O enredo principal do livro se passa durante dois dias, com os personagens lutando pelas suas vidas em cenários traiçoeiros e hostis, distantes da civilização. Cercada de mistérios, Paraíso Florestal é uma pequena cidade do interior da Bahia, quase inexistente no mapa, com cerca de trezentos habitantes. O local é inspirado em um povoado real, chamado Florestal, próximo da cidade de Jequié.


No livro, quando David e Lívia exploram as ruas e vielas de Paraíso Florestal, ninguém é encontrado. Porém, a sensação de que alguma coisa está à espreita é de fazer gelar a alma.
Pág. 73:
“A estrada seguia em linha reta e revelava um declive à esquerda, tendo uma placa de ferro no acostamento, que dizia: Bem-vindo a Paraíso Florestal! Entre por conta própria, e seja feliz!”


A placa de boas-vindas e o próprio povoado é uma clara referência a cidades fictícias e interioranas da cultura pop. Temos Silent Hill, famosa cidade da série de jogos de terror. Gatlin, cidade rural de Nebraska, do conto As Crianças do Milharal, de Stephen King. Snowfield, do livro Fantasmas, de Dean Koontz. Twin Peaks, a conhecida cidade da série de tevê homônima escrita e dirigida por Mark Frost e David Lynch. E também o vilarejo assustador de Resident Evil 4. Apesar de tais nomes, nenhuma cidade foi tão importante para a criação de Paraíso Florestal quanto a sinistra Innsmouth, do livro A Sombra de Innsmouth, de H.P. Lovecraft. Não apenas a sinuosidade de suas vielas, como também os maneirismos macabros de seus habitantes foram fortemente inspirados nessa história.

Pág. 75:
“— O lugar é realmente pequeno — comentou Lívia.
— Estamos na ponta da cruz.
— Como assim?
— É o formato do povoado — explicou David. — Olhando de cima para baixo, ele tem a estranha forma de uma cruz...”


No coração da pequena cidade, existem construções que marcaram o seu passado, a exemplo da Padaria dos Fontine e do misterioso Hotel Paraíso, onde David e Lívia fazem a sua primeira descoberta macabra.

A ideia conceitual em torno do hotel se originou a partir da adaptação para o cinema dos contos A Sombra de Innsmouth e Dagon. O filme foi dirigido por Stuart Gordon e lançado em 2001. No longa, o hotel é repleto de corredores sombrios. Ao lado, uma das cenas mais marcantes.

Acima das serras que cercam Paraíso Florestal, está a Mansão Mombach:


De acordo com arquivos encontrados por David e Lívia, a mansão foi construída na década de 30, por um engenheiro estrangeiro chamado Archibald Von Sant. A mansão é uma grande muralha de tijolos que segue um estilo sombrio e vitoriano, semelhante as casas assombradas dos filmes de terror. Ela pertence a atriz brasileira Nora Fontine, que se casara com um famoso arqueólogo chamado Jeremy Mombach.

Pág. 108:
“David e Lívia aproximaram os rostos no espaçamento entre as vigas e tentaram enxergar além das árvores secas que malhavam os paredões da mansão. O vento soprava com força por ali, fazendo as folhas mortas dançarem ao cântico da natureza e pousarem além das vigas do telhado. Acima dos galhos secos, era possível destacar dois pares de tetos triangulares, e sobre estes, duas torres pontudas que se assimilavam aos castelos medievais.”

A ideia para a mansão surgiu com o propósito do livro em si: o clima dos jogos de Survival Horror. Lançados na década de 90, os primeiros jogos de Survival Horror se passavam em locais inóspitos e fechados, como cidades, navios, casas ou mapas labirínticos. O jogo mais importante, e que na minha opinião ajudou a impulsionar o gênero, foi Alone in the Dark, que inclusive possuía referências claras de Poe e Lovecraft.


Esteticamente falando, a Mansão Mombach foi inspirada em dois desses jogos, sendo eles Alone in the Dark: The New Nightmare, e o primeiro Resident Evil. A mansão do filme Os Outros, de 2001, também foi uma fonte de referência.
Para reforçar a influência dos jogos, foi acrescentado ao miolo do livro um mapa extenso da mansão, com referências claras ao Survival Horror:

Foto: Maria Simone

       O formato da biblioteca dos Mombach, descrita na página 193, é inspirada na biblioteca dos Morton.
A sala de fumantes, descrita na página 130, faz alusão a uma sala semelhante, contida na casa de Alone in the Dark:



A criatura alada, descrita na pág. 66, foi inspirada no monstro Air Screamer de Silent Hill 1, e nas aranhas gigantes do filme O Nevoeiro:


A coisa cavernosa que aparece na pág. 92, foi inspirada no monstro Duvalia, de Resident Evil 5:


Os habitantes de Paraíso Florestal, com trejeitos sinistros, na página 98, foram inspirados nos habitantes de Inboca, do filme Dagon:


A coisa cavernosa com olhos gigantes, na pág. 143, foi inspirada em um dos estágios do monstro William Birkin, de Resident Evil 2. E a criatura aracnídea, que aparece na pág. 291, foi inspirada no monstro Spider Head, do filme O Enigma do Outro Mundo:



Durante um diálogo descontraído na página 62, David e Lívia fumam um cigarro chamado Red Apple. A cena é uma homenagem ao Quentin Tarantino, cujos personagens, em seus filmes, fumam essa marca fictícia de cigarros:


Na página 120, David e Lívia encontram um antigo exemplar da Gazeta Jequieense, no escritório de Jeremy Mombach. Personalidades como Eva Todor, Suely Franco, Lolita Rodrigues, Lily Marinho e Álvaro Vidal são mencionadas na manchete:


A ilustração de Kadica, na página 177, é uma homenagem à atriz Tsidii Le Loka, que deu vida a personagem Sukeena no filme Rose Red: A Casa Adormecida, de Stephen King. A personagem cuida de Ellen Rimbauer, durante sua estadia na África, que ao fim, a convida para morar na sua mansão Rose Red.


A ilustração da página 184 é uma homenagem ao Museu Nacional.
A ilustração da página 217 é uma homenagem à atriz Audrey Hepburn, que é mencionada na própria história da Família Mombach:


A ilustração de Charles Fontine, na página 225, foi inspirada no ator John Wayne quando o mesmo estrelou no filme Iwo Jima – O Portal da Glória, de 1949:


Clayton Mombach, ilustrado na página 227, foi levemente inspirado no ator Chris Evans:


Poara finalizar, seguem algumas curiosidades mais discretas (mas não menos importantes), ao longo das páginas:
O personagem Carlos, que é mencionado nos primeiros capítulos, recebeu esse nome por causa do mercenário Carlos Oliveira, de Resident Evil 3.
A sigla COPS é intimamente inspirada no BOPE, na SWAT e na unidade especial STARS, dos jogos Resident Evil.
A chamada do capítulo 10, na página 85, é uma homenagem ao primeiro filme da franquia Resident Evil: O Hóspede Maldito.
No recorte da Gazeta Jequieense, da página 161, podemos ver uma referência ao primeiro livro que lancei no mercado. A obra narrava a trajetória dos irmãos piratas Annette e Vasseur Legrand. Ainda na manchete da página 161, há uma propaganda da cerveja fictícia Lake Drink (a marca é mencionada no livro Sacanas do Asfalto). A garota da imagem é minha prima, Ariane Oliveira:

 

Os recortes de jornais que aparecem na página 162 e 163, com possíveis evidências de casos extraterrestres, foram inspirados na misteriosa Operação Prato, ocorrida em 1977.
A Biografia Não Autorizada da Família Mombach, encontrada por David e Lívia em um dos cofres da biblioteca, é uma referência ao álbum de fotografias dos mortos, do filme Os Outros, de 2001.
A ilustração que mostra Rafael Dixon, na página 212, é uma homenagem ao seriado Twin Peaks:


Parte da Biografia da Família Mombach foi inspirada nas famosas teorias da conspiração sobre os Illuminati e suas derivadas sociedades secretas. A ilustração contida na página 221 faz referência a emblemática cena do ritual, do filme De Olhos bem Fechados, de 1999.


Chegamos ao fim da sessão, tripulantes!
Espero que tenham curtido as referências e curiosidades do verdinho.
Para adquirir Enquanto Eles Não Vêm, cliquem AQUI!

Abraços!
Robson Gundim



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Músicas e Livros

“One of the things I do when I am starting a movie, when I’m writing a movie or when I have an idea for a film is, I go through my record collection and just start playing songs, trying to find the personality of the movie, find the spirit of the movie."
Quentin Tarantino


     A música detém essa magia de mexer com as nossas emoções. Muitas vezes fui embargado por ideias interessantes, devido a algum som que chegou aos meus ouvidos. Obras como “Enquanto Eles Não Vêm”, "O Canto da Valquíria" e “Sacanas do Asfalto”, que são recheadas de referências, tiveram um processo criativo ágil por causa de tais músicas. A história da Valquíria é marcada pela sua luta em nome dos sonhos e a superação diante do sofrimento de uma vida sofrida. O processo da escrita em meio a canções inesquecíveis tornaram a experiência ainda mais arrebatadora, sobretudo no que diz respeito as raízes da minha cultura.

Nova capa do livro, feita pela INDIE 6

    Foi pensando nesses fatores que eu resolvi criar duas playlists especiais dedicadas aos meus últimos livros publicados, "sacanas do Asfalto" e "Enquanto Eles Não Vêm" (o livro da Val ainda receberá sua playlist maravilhosa!). Confiram a lista abaixo, as faixas estão disponíveis no Spotify.



                                  

     A playlist de "Sacanas do Asfalto" é ainda mais próxima da obra porque os personagens, em diversas situações da história, mencionam as músicas em questão. Apenas as trilhas instrumentais que não foram diretamente mencionadas:


                                  

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sacanas do Asfalto: Referências

Preparados para a sessão?
Embora muitos já saibam, é necessário ressaltar: o livro homenageia aquele que adora homenagear as obras que tanto o influenciaram: Quentin Tarantino. Segue abaixo um excelente vídeo que reúne as maiores influências do diretor para o seu quarto filme, Kill Bill:


Sendo a obra uma homenagem clara ao Tarantino, eu pensei (ainda antes de começar a escrita) em realizar algo que diferenciasse Sacanas do Asfalto e que o remetesse ao universo do referido cineasta.  Politicamente incorreto, o roteiro é repleto de situações inusitadas e exageradas, fatores comuns ao cinema exploitation e a própria filmografia de Tarantino (o que pode assustar alguns leitores a princípio). Nesta postagem, vamos conhecer algumas das inúmeras referências contidas nas páginas de Sacanas do Asfalto, desde Tarantino, até outros nomes dignos de serem citados, que muito me inspiraram. O livro viaja por diversos gêneros, desde aventura e terror, até comédia e romance, o que me faz acreditar que saciará a sede de muitos leitores! Vamos nessa?
Sejam bem-vindos a primeira postagem especial que dissecará as raízes do meu novo livro. Espero que curtam!


Começamos com a capa, feita pelo talentoso Denis Lenzi e ajustada para seguir as características da Editora PenDragon pelo Marcos J:

Capa oficial do livro + a capa americana do Death Proof

A primeira referência que citei ao Denis foi a composição seguinte: "misture Death Proof com Sin City, com as silhuetas dos personagens que te enviarei!" Não durou muito tempo até que eu enviasse as silhuetas e citasse todos os pormenores acerca da arte. Posters de livros alternativos, filmes dos anos 70, texturas de asfaltos, sombras e muitas ideias legais fizeram brotar a atual capa do Sacanas do Asfalto. Todo mundo se empolgou, e de cara comprou o feeling do livro.


Quentin Tarantino é conhecido principalmente pelas referências expostas nas suas obras. O roteiro é consistente, literário; suas raízes estão ali. Para melhor evidenciar suas homenagens, Tarantino fez questão de inserir, no início de seus filmes, introduções dos anos 60 e 70, contendo trailers e anúncios de outros projetos. Isso causava no espectador uma sensação de familiaridade com suas outras produções. Sabemos que todas as histórias dele se passam num mesmo universo, portanto, é MUITO interessante fazer essa pequena mescla. Abaixo, alguns exemplos:

Thanksgiving: um trailer utilizado no projeto Grindhouse (2007)
Introdução do Shaw Brothers Studio, no filme Kill Bill (2003)
Introdução: "Nossa Atração Principal", em Kill Bill e Death Proof (2007)

Foi pensando nisso que tive a ideia de realizar um projeto parecido; um trailer de uma obra futura, precedida por uma introdução setentista, porém, é claro, em um livro!

Teaser de Vanishing Point (aka Ponto de Fuga)

Vanishing Point é um livro de drama e ação sobre vingança, que inicialmente foi concebido como conto. O título é um tributo ao filme homônimo de 1971 (conhecido no Brasil como Corrida Contra o Destino). Comecei a escrevê-lo em 2007, no entanto realizei grandes mudanças ao longo dos anos, finalizando-o somente no segundo semestre de 2013. Amplamente ilustrado, Vanishing Point foi minha primeira obra pensada dentro dos parâmetros tarantinescos. Para saber mais a respeito, clique aqui.

Após o trailer, chegamos a "Nossa Atração Principal"!

Menções ao Tarantino, ao longo das páginas:

"Tinha olhos castanhos claros, queixo quadrado, barba falhada e um corpo magro. Os cabelos eram levemente lisos, quase sempre pendidos para cima e para o lado, o que lhe dava uma aparência meio exótica de “nerd anos 90”. Fã incondicional dos filmes do Quentin Tarantino, ele também venerava os livros da Agatha Christie e nutria o sonho de se tornar um escritor conhecido no Brasil."
Pág. 14

"Vana chamou a atenção de todos com um novo short curto, e uma camisa justa que exibia a estampa do filme Death Proof. Ao dar de cara com a camisa, Rob sentiu uma pitada de orgulho, ciente de que a prima a vestira por saber que ele era fã número um do Quentin Tarantino."
Pág. 34

"Disse o baixinho:
— Uma Thurman.
— Errou! — Vana estalou os dedos e virou-se para Daisy: — Presta atenção, safada...
— A puta que pariu.
— Ouça! — Vana riu-se. — A dica dele foi Tarantino. Desse modo, tem tudo a ver. A minha dica é... Tainan."
Pág. 60


A ilustração acima (da Pág. 47), nos mostra as personagens Daisy, Vana e Tainan, e ao fundo, parte do bar "Enseada Noturna", onde grande parte da trama se passa. Esse bar foi inspirado no "Texas Chili Parlor", um restaurante localizado na Cidade de Austin, Texas:


O "Texas Chili Parlor" foi utilizado como cenário de inúmeras cenas no filme Death Proof, que conta com diálogos marcantes, jogatinas, bebidas, músicas e muita diversão. Abaixo, um pequeno trecho do livro, referente ao bar no qual o "Enseada Noturna" foi inspirado:

"Passando pelo arco, uma imagem das mais encantadoras se estendeu diante de seus olhos. Um número exorbitante de pessoas sentadas em mesas e em volta de carros, confirmava-lhes que o ambiente era dos mais badalados da ilha. Um prédio de madeira ao estilo colonial funcionava como o bar em questão, tendo luzes coloridas em torno das janelas escancaradas, e uma grande fachada com o desenho de uma mulher deitada numa prancha. Uma variedade de carros e motos lotara a área do estacionamento."
Pág. 39

Jungle Julia Lucai (Sydney Tamiia Poitier) e amigos, no Texas Chili Parlor

Chegou a hora do... Foot Massage!

"Eu sou o mestre das massagens nos pés!"
Embora o Tarantino tenha dito que não se considera um fanático por pés, não podemos negar: o cara adora dar closes demorados nos pés das suas beldades! Em Sacanas do Asfalto, podemos encontrar menções interessantes a essa particularidade do corpo feminino. Se liguem nos trechos a seguir:

— Eu não estava na hora do ato, mas soube que ele chegou com um papo estranho e tentou fazer uma massagem nos pés dela. E se tem uma coisa que a Itana não gosta, é de que os homens toquem nos seus pés. Um trauma de infância ou coisa do tipo.
André ficou parado em seu assento, divagando.
Esperou meio minuto e perguntou:
— Uma massagem nos pés? Foi o que a motivou a matar o cara?
Pág. 82

"Os quatro rapazes distraíam-se no tapete, assistindo TV, enquanto as duas moças divertiam-se na cama — uma pintando as unhas dos pés da outra — numa posição sensual, cara a cara."
Pág. 109

"Daisy acabara de tomar um banho. Deixou o banheiro ainda pingando, e sentou-se à beira da cama com um olhar nostálgico. Retirou a toalha e enxugou os dedinhos dos pés, tão lindos quanto o resto de seu corpo."
Pág. 207

Propagandas Tarantinescas

Cigarros Red Apple, em Kill Bill vol. 1
Os cigarros Red Apple é apenas uma das provas de que todas as histórias do Tarantino estão conectadas. Abaixo, mais aparições da marca fictícia presente em todos os seus filmes!


Citação do cigarro no Sacanas do Asfalto:

"Dante permaneceu calado até o cair da noite, quando se dirigiu à sacada do apartamento e ficou observando a estrada vazia.
Calmo.
Estava calmo demais.
Dante não gostava de silêncio. Gostava de algazarra, gritaria, balbúrdia.
Arrancou um cigarro do maço Red Apple e fumou até às vinte e duas horas. Vez ou outra, um veículo veloz atravessava a rodovia."
Pág. 113

A carteira "Bad Mother Fucker", em Pulp Fiction
Citação da carteira no livro:

A vítima não soube o que fazer, restando-lhe somente indagar:
— Onde quer que eu coloque a quantia?
— Tá vendo uma carteira no fundo da mochila?
— Bem... — o idoso tentou enxergar o objeto. — Eu vejo duas carteiras.
— Tem uma especial. Tá escrito “Bad Mother Fucker”.
Pág. 21

Robert Rodriguez apresentando sua versão da lanchonete havaiana!
Essa é a lanchonete fictícia que virou realidade (inclusive aqui no Brasil). Sua primeira aparição ocorreu em Pulp Fiction, através do Jules Winnfield, personagem do Samuel L. Jackson. A partir daí, ela passou a fazer parte de toda filmografia do Quentin Tarantino. Em diversos lugares do mundo foram criadas lanchonetes em homenagem ao Big Kahuna Burger, e é claro que ela não ficaria fora dos capítulos de Sacanas do Asfalto!

Rob apontou na direção leste.
— Preciso encontrar uma pessoa que está desembarcando. Vem comigo.
A moça concordou e os dois começaram a subir pela escada rolante, na direção do Big Kahuna.
Pág. 172

Ao longo dos anos, desde 2007 (quando comecei a escrever Vanishing Point), passei a brincar com as marcas e criei algumas também, dentre as quais eu cito a "Sun's Mountains", uma companhia de linhas aéreas, e a cerveja "Lake Drink", que está presente em Sacanas do Asfalto. A garota do rótulo é a Annette Legrand:


"Conversaram exaustivamente sobre tudo o que houve, com a breve exceção de uma alta quantia em dinheiro que apanharam de um largo envelope.
Teh e Arthur comemoraram e brindaram nessa passagem, pedindo uma garrafa de Lake Drink."
Pág. 265


Apesar de não ser mencionada em Sacanas do Asfalto, essa companhia aérea já foi responsável pela viagem de muitos personagens de livros como Vanishing Point e Dragões da Meia Noite (antigo Ponto Instantâneo). Também foi inserida no conto "A Integração", da escritora Adriana Ramiro, para a coletânea O Último Dia Antes do Fim do Mundo, na qual participei como autor e ilustrador. Segue a imagem do conto referido, com o boeing da Sun's Mountains em destaque:

Conto "A Integração", com o nome da companhia aérea ao fundo.

"Hearty Tex-Mex Food from the kitchen of The Acuña Boys!"
Crédito da Imagem
A expressão foi inspirada no título de uma gangue criminosa, do filme Rolling Thunder (1977), que é um dos longas prediletos do Tarantino. Inclusive, graças a esse filme, o Tarantino batizou sua empresa de distribuição de DVDs, em 1994, como The Rolling Thunder Pictures. Graças a ele, filmes apagados como os westerns italianos, hong kong kung fu e exploitations dos anos 70, voltaram a ser reconhecidos no território americano. Infelizmente a empresa não durou. O logo do Acuña Boys apareceu no site oficial da distribuidora, e logo ganhou espaço na filmografia do cineasta. Apareceu em Jackie Brown (1997), como marca de um produto alimentício, e posteriormente em Death Proof, na embalagem de uma Soda, confirmando que o selo fazia parte da "Comida Autêntica Tex-Mex".
Durante o projeto Grindhouse (2007), Tarantino e Robert Rodriguez fizeram uma chamada sobre a Comida Autêntica Tex-Mex:


A Soda do Acuña Boys em Jackie Brown (1997)
Novamente uma Soda do Acuña Boys, no filme Death Proof
No Kill Bill vol. 2 (2004), a expressão é usada em outra situação

A Noiva (Uma Thurman) chega a cidade de Acuña, México, e explica que Esteban Vihaio (figura paterna do Bill), possui um prostíbulo nos confins da cidade; ele não apenas controla as prostitutas, mas também os filhos bastardos delas: os perigosos Acunã Boys. Vale lembrar também que a trama do filme Desperado (1995) se passa em Acuña, e o Tarantino participa.
Em Sacanas do Asfalto, durante uma viagem de carro, Vana explica que suas duas irmãs compunham uma gangue de justiceiras denominada "As Três Furiosas", e que juntas promoviam a justiça em nome das mulheres indefesas de Gandu. Trecho a seguir:

— Itana era a ruiva, a primeira no comando. Passou a ser chamada de Red Sonja após obter a fama de justiceira. Dona de habilidades incríveis, ela carregava uma coleção de facas por onde quer que fosse... acho que nem preciso dizer o que ela fazia com os caras pervertidos, não é?
André engoliu e soltou:
— Apesar dessa última nota... gostei delas.
— Aposto que sim... — Vana riu. — Assim como aposto que jamais desejaria ocupar o lugar dos Acuña Boys da cidade... uma vez um deles se fodeu nas mãos da Red Sonja.
Pág. 81

Além disso, em uma das ilustrações do livro, a personagem Daisy traja uma camisa com a logo da Comida Autêntica Tex-Mex, que será revelada mais para a frente.


A violência é uma marca do Tarantino, principalmente no que diz respeito ao exagerado uso do sangue. Em Sacanas do Asfalto, contamos com ilustrações que visualmente também referenciam essa característica do cineasta. A imagem acima mostra parte da página 185, em comparação com algumas cenas dos primeiros filmes do Tarantino.

"O pescoço sofreu um estouro, e um jato de sangue começou a escapar dele, jorrando para todos os lados da sala."
Pág. 181

"A carne intumesceu e se abriu grotescamente, o sangue escapou depressa e escorreu por todo o corpo."
Pág. 86

O livro também conta com situações cômicas e inesperadas, referenciado cenas memoráveis vistas nas obras do cineasta. Há troca de tiros, diálogos rápidos, posição dos personagens em determinadas partes do cenário (corpos no porta-malas), mulheres imponentes e flashbacks comprometedores.


A homenagem a Tarantino não seria completa se não houvesse uma playlist especial, não é? Músicas e artistas inesquecíveis fazem parte de grandes acontecimentos no livro. Não me estenderei nesse tópico, pois em breve escreverei uma postagem especialmente dedicada a cada música mencionada no livro, mas separei alguns trechos que são indispensáveis.

"Thats the title to my favorite soul song of the seventies!" Kill Bill
"Buda sintonizava o rádio e mudava a cada meio minuto de estação. Impaciente, acabou puxando um CD debaixo do banco e colocou Nancy Sinatra para tocar:
These Boots Are Made For Walkin!"
Pág. 149

Daisy achou a cena engraçada e deu uma leve acariciada nos cabelos de André. A primeira música a tocar foi The End. Folheando o encarte do CD, o magnata tentou acompanhar a voz do Jim Morrison e gerou novas gargalhadas.
— Querido, mal posso imaginar você no banheiro! — caçoou Vana.
Pág. 79

"Daisy perguntou qual era o gênero musical preferido do André. Ele sorriu de leve e respondeu que confiava no gosto dela. Seguidora fiel dos Beatles, a jovem poliu o CD e deu play na música Baby It’s You. Sentou-se ao lado do moreno, cruzou as pernas e ficou movendo os ombros no ritmo do som."
Pág. 33


É claro que os livros não ficariam de fora da lista de referências. Me amarro em escritores como Fernando Sabino, Marcos Rey, Agatha Christie, Virginia Woolf, HP Lovecraft, Elmore Leonard, Guimarães Rosa, e dentre outros. Aqui vão as influências mais fortes para Sacanas do Asfalto!


No livro, há vários momentos de tensão e muitas reviravoltas, fatores comuns no vasto número de obras da Agatha Christe, que particularmente é a minha escritora favorita. A personagem Daisy referencia duas grandes personagens da rainha do crime, interna e externamente. Internamente quando, por um golpe do destino, é obrigada a tomar o rumo do mar contra a própria vontade. A cena é um tributo "subliminar" a Vera Claythorne, do livro E Não Sobrou Nenhum (1939); a personagem sofre um mau pressentimento antes de ir a bordo de um barco, mas, mesmo contra a própria vontade, ela decide seguir em frente.

Vera Claythorne foi interpretada pela atriz June Duprez, em 1945

Externamente, a Daisy referencia outra personagem da Rainha do Crime, quando imita a fala e os trejeitos da Prudence Cowley (ou Tuppence), dos livros O Inimigo Secreto (1922), Sócios No Crime (1929), M ou N? (1941) e dentre outros. Na cena, ela está lendo um trecho de um roteiro biográfico, inspirado na personagem em questão.

No cinema, a atriz Francesca Annis deu vida a Tuppence

Curiosidade: Tuppence era enfermeira na época da Primeira Guerra Mundial (assim como Agatha Christie)!


Às Vezes Eles Voltam é uma adaptação de um conto homônimo de Stephen King, do livro Sombras da Noite (Night Shift) 1978. "A história desse conto é sobre Norman, um professor que presenciou a morte do irmão por uma gangue cujos membros foram em seguida atropelados por um trem dentro de um túnel. Norman conseguiu fugir, mas vive atormentado pela lembrança."
A gangue de motoqueiros do Sacanas do Asfalto, liderada pelo Dante, é uma homenagem a obra do Stephen King.

"Tudo o que o pobre homem faturara durante aquele penoso dia, fora injustamente transferido para uma mochila fedorenta, sob a ameaça de uma gangue que nunca tinha ouvido falar."
Pág. 21

Homenagem ao livro que me lançou no mercado! <3

— Como se chama o livro? — quis saber o magnata.
— Uma odisseia além do oceano.
— Maneiro... do que se trata?
— Romance envolvendo piratas. Uma mulher nobre se lança no mar. Ao lado do irmão, ela decide agarrar a liberdade que tanto sonhava. Os dois se transformam em bucaneiros e passam a navegar pelas águas do Caribe. O livro explora a força da mulher, o lado primitivo do homem, e a brutalidade dos piratas do século XVII.
Pág. 52

Uma odisseia além do oceano foi o meu primeiro livro publicado. Há uma postagem especial sobre a obra, que fazia parte da saga Entre o Céu e o Mar, na fanpage do facebook. Basta acessar AQUI!

Livros da coleção Vaga Lume / Editora Àtica

O posicionamento e o estilo das imagens contidas no miolo de Sacanas do Asfalto foram inspirados nas diagramações desses livros que marcaram época. Minha infância foi regada por essa maravilhosa coleção. Desde o lançamento do meu primeiro livro, trabalhei com as ilustrações sob a perspectiva visual da coleção Vaga Lume.


Como citado em uma postagem mais antiga, esse é um "livro com uma pegada cinematográfica. A narrativa leve e de fácil compreensão, mesclada aos desenhos ao longo dos capítulos, faz com que o leitor vislumbre as cenas como se estivesse diante de uma tela colossal. Obs. Grande parte dos personagens são assumidamente cinéfilos." E é verdade. Além do Quentin Tarantino, os personagens
conversam abertamente sobre cinema e seus derivados assuntos.

Filmes Exploitation: O exagero proposital, os temas de cunho social e racial, a violência e a rebelião estão sempre presentes nesse gênero.

Ela me lembra a Demi Moore. — disse Erick, mastigando pipoca. — O rosto é bem parecido, e o corpo é uma obra de arte!
— Afinal, quem é essa atriz?
— É a Christy Hartburg, Dante! — falou Lucas, o de cabelos pretos e compridos. — Ela foi a musa do Russ Meyer e do cinema exploitation na década de 70!
Pág. 112

O trecho homenageia Supervixens (1975), protagonizado principalmente por mulheres. Com certeza foi uma grande influência para o Quentin Tarantino, assumidamente fã do Meyer.

"Enquanto abocanhava um filé mignon, Erick contou uma piada de mau gosto, envolvendo um sequestro de uma criança milionária. Sasha discorreu sobre corridas clandestinas. Lucas narrou seus filmes prediletos e destacou o desnecessário remake de Guerra ao Império do Vício."
Pág. 123


Guerra ao Império do Vício, ou Coffy (1973), é um filme blaxploitation dirigido por Jack Hill e estrelado por aquela que foi um ícone para o movimento cinematográfico da década de 70: Pam Grier. Marcada pelo evidente talento e beleza, a Pam também atuou em filmes como Black Mama, White Mama (1973), Scream Blacula Scream (1973), Foxy Brown (1974) e, nas mãos do Tarantino, deu vida a  Jackie Brown em 1997.

Pam Grier: Rainha da década de 70!

“O magricelo vasculhou os bancos traseiros do veículo e suspendeu-os; embaixo, na companhia de duas HQs, estava escondida uma espada curta japonesa, cuja lâmina afiada beirava vinte e cinco centímetros de comprimento, ele a denominara “Kiddo”, em homenagem a Kill Bill. Com cautela, manteve a arma branca embainhada, bateu a porta do carro e voltou ao bar.”
Pág. 66


E falando em Kill Bill, eu soube que a maravilhosa Sheron Menezzes fez um ensaio em homenagem ao filme. Logo pensei: "Não foi à toa que a Daisy foi inspirada nela!"

Sheron e Daisy, a personagem que carrega suas feições!
Samuel, na pele do Samuel L.Jackson!
Samuel L. Jackson é um dos meus atores favoritos, e é claro que haveria um personagem especial em sua homenagem! Sem sombra de dúvidas, uma forte personalidade.

"Samuel era alto, forte e negro, trajava uma roupa social e mantinha nos cabelos um moderado nível do estilo Black Power."
Pág. 74

Itana, Vana, e Ivy: as Três Furiosas!

Vana folgou o cinto e chegou-se para frente:
— Sete anos atrás, se você estivesse em Gandu e cruzasse o caminho das Três Furiosas, seria de bom tamanho não fazer nenhuma besteira. Acaso as intimidasse, ou mesmo realizasse qualquer movimento brusco, seria o mesmo que pedir um belo chute no saco!
Pág. 80

Em um capítulo intenso, as Três Furiosas dançam sensualmente ao som "Red and Black", antes de atacarem suas vítimas. Essa sequencia foi inspirada no Baytown Outlaws (2012), que é um tributo ao estilo Grindhouse (ressuscitado pelo Tarantino em 2007).

Travis Fimmel e Serinda Swan
em uma das cenas mais cômicas do longa
















"Havia duas caixas imensas de CDs e LPs que Samuel colecionava. Uma variedade de músicas setentistas, oitentistas e outras raridades da cultura pop. Itana abaixou-se para escolher uma banda. Sua bunda bem modelada ficou em perfeito destaque, levando os rapazes à loucura. Ela movia-se como uma pantera, suavemente, sem ruído."
Pág. 178


Não brinque com as Três Furiosas, ou elas brincarão com você!
As personagens em questão são uma homenagem ao longa Faster Pussycat! Kill! Kill! (1965), dirigido pelo Russ Meyer, e Switchblade Sisters (1975), dirigido pelo Jack Hill. Ambos profundamente admirados pelo Quentin Tarantino. Histórias alucinantes, protagonizadas por mulheres fortes, que não levam desaforo pra casa!


Daisy bebeu a cerveja no gargalo e perguntou a Júnior:
— Então você é fã de Star Wars?
— De carteirinha.
— Meu irmão é fanático! — ela mordeu o lábio inferior, recordando-se de uma piada interna: — Me fala... no filme, quem atirou primeiro?
Júnior foi mais esperto:
— Nunca houve um segundo tiro.
Pág. 34

Dentre os personagens nerds, não poderia faltar um seguidor fiel da saga Star Wars! Suas aparições são, no mínimo, marcantes e nostálgicas:

"No banco carona do Dodge Charger, Júnior olhou rapidamente para a galáxia e imaginou a introdução de Star Wars."
Pág. 36


Devo confessar que, apesar de adorar quadrinhos e mangás, eu não sou um grande colecionador. No passado tive a oportunidade de conhecer muitos trabalhos, assim como tive acesso aos mais derivados jogos da minha geração. Me amarro no estilo da arte do Eduardo Risso, sobretudo na série 100 Balas, que é super a cara do Tarantino! Recomendo demais aos amantes de uma boa historia de suspense, ação e temas envolvendo conspirações. No decorrer do livro, podemos encontrar referências a jogos e quadrinhos também:

Saudades dos tempos de boteco!

"Eduardo dotava de uma aparência desinteressante e uma moda desleixada; usava um boné antigo do game Fatal Fury e vestia quase sempre as mesmas camisas soltas sobre as bermudas de tactel."
Pág. 74


Assim como o Júnior expressa sua paixão pela saga Star Wars, o Eduardo não esconde seu bom gosto no mundo dos jogos! Gente, Fatal Fury simplesmente marcou a minha infância. É um dos melhores jogos de luta dos tempos de fliperama, sem mais.

O Dante foi levemente inspirado no Coringa
"Levantou-se e examinou-se ansiosamente no espelho. O rosto que ali viu refletido possuía uma palidez vampiresca que lhe dava um ar gótico. Um rosto inexpressivo, de olhos cinzentos, bastante chegados um ao outro, e uma cabeleira curta, totalmente esverdeada; sua marca dentre todos os motoqueiros."
Pág. 113

Samurai Champloo
— Todos os volumes são ultrapassados. — falou o “Pequeno Homem”.
Rob concordou. Apanhou um exemplar de Samurai Champloo e entrou em outro assunto:
— Levaremos quanto tempo até chegar a Vera Cruz?
Pág. 17

Além da citação direta ao mangá, a própria trama do livro remete a três jovens azarados que passam a viver uma alucinante aventura. Rob, Teh e Arthur, além de serem uma homenagem ao Nerd Killers, é também um tributo ao Mugen, a Fuu e ao Jin. Arte principal do trio, no começo do livro:


Além das obras já citadas, em Sacanas do Asfalto podemos encontrar outras menções honrosas do mundo dos quadrinhos, desde o Homem-Formiga e Xena até a Red Sonja!

Bem, tripulantes, a sessão está chegando ao fim. Vou ficando por aqui antes que essa postagem se transforme em uma monografia!

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Um abraço!
Robson Gundim