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sábado, 29 de julho de 2017

Universos Extraordinários: Uma coletânea PenDragon

A Bienal do Rio 2017 está se aproximando, e com ela, grandes novidades no mercado literário. Dentre essas novidades, lhes trago o mais novo lançamento da Editora PenDragon: “Universos Extraordinários”, uma antologia que reúne vinte e cinco contos fantásticos, escritos pelos autores da editora.

Capa da Antologia, por Marcus Pallas

Tive o prazer de conhecer boa parte dessa galera na Bienal de SP, no ano passado, e devo dizer que está sendo uma honra compartilhar um livro com eles! Esse livro traz uma incrível coletânea de contos em universos distintos. Neles, os dragões guerreiros apresentam diferentes criaturas fantásticas em histórias de tirar o fôlego. "Universos extraordinários - Uma coletânea Pendragon", nos faz caminhar por diferentes aventuras, apresentando-nos personagens marcantes e inesquecíveis. Fadas, dragões, piratas, deuses, heróis, vilões, são alguns dos elementos que o leitor encontrará nas histórias presentes no livro. São vinte e cinco contos escritos pelos autores da Pendragon, onde, a cada nova página, o leitor mergulhará em universos extraordinários.

Vem conhecer um pouco sobre os contos:


O Caminho de Eru, por Marco de Moraes

Sinopse: O conto narra a história de quando Maria, filha de escravos, descobre um mundo totalmente diferente além do terreno da fazenda onde mora. É em meio a um universo mágico que ela vai ter que descobrir como voltar para casa. Em certo ponto há desenhos, mas podem ser mais do que isso!
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A Profecia, por Allison RDS

Sinopse: O conto traz a história de Julia, uma princesa humana que está vivendo uma maldição ao lado de seu amado Gys, um acturiano que pode assumir sua forma original somente durante as noites. No entanto, uma antiga lenda diz que o sacerdote de Vener poderá reverter a maldição e revelar uma profecia tão antiga quanto o mundo em que vivem...
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Maria dos Patos, por Cristy S. Angel

Sinopse: O conto fala sobre um acontecimento que faz com que Maria seja injustamente expulsa por seu pai. Ocultando seu segredo, Maria parte para outro reino. Lá, ela encontra trabalho alimentando os patos da lagoa real. O que ela não sabia, era que encontraria um príncipe amaldiçoado. Além do romance, o conto trás uma lição importante sobre humildade e perdão.
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O Tesouro dos Elfos, por Lucas Fernandes

Sinopse: De onde os Elfos mineram seus metais? Esse é a resposta que Selpher pretende obter, invadindo o reino Élfico, com um grupo de ladinos. Tudo bem que a Floresta das Joias não passa de um boato, mas para um ladrão conceituado a incursão valeria a pena só pela adrenalina. Um conto com humor, aventura e seres fantásticos, embora nem um pouco escrupulosos.


Para Onde Vão os Suicidas, por Felipe Saraiça

Sinopse: Em Para onde vão os suicídas, conto presente na antologia Universos extraordinários, o leitor será levado ao submundo junto a personagem Angelina, que anteriormente havia passado por uma tentativa de suicídio. Lá, Ixtab será apresentada como porta-voz da morte e irá propor um desafio a Angelina. Para onde vão os suicídas é o conto que deu origem ao livro do mesmo nome e traz questionamentos sobre vida e morte, em uma narrativa repleta de reflexões e pitadas de humor.


A Coroa da Rainha Fada, por Priscila Gonçalves

Sinopse: Durante milênios, as fadas e os botos viveram a beira da guerra, tudo por causa da lenda sobre uma coroa que dava sabedoria a antiga rainha fada. Cansados de serem subjugados pela falta do instrumento magico, os fada decidem declarar guerra. Thasli não se conforma com a decisão de seu povo e junto com o amigo boto Avati vai enfrentar o labirinto do templo Okiutha em busca da única coisa capaz de por fim a batalha.
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Youkai da Destruição, por Déborah Felipe.

Sinopse: Soichiro é um idoso cego, morador da cidade de Kamakura, mas os moradores fingem não vê-lo ali, com seu kimono puído e seu velho shamisen. O que as pessoas não sabem é que ele protege a cidade enquanto todos dormem, e naquela noite aparece o Youkai da Destruição para desafiá-lo.
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Será que pode me ajudar?, por Graci Rocha.

Sinopse: O conto é uma narrativa divertida que conta como uma esposa acabou transformada em algo totalmente inusitado quando o marido, um bruxo muito atrapalhado resolve tentar um feitiço novo. Com muito humor somos levados a conhecer essa família e sua aventura doméstica.
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Cedro, por Camila Deus Dará.

Sinopse: No conto “Cedro” você irá conhecer a misteriosa história de um garoto invisível que trabalha na biblioteca pública da cidade e descobre entre as prateleiras empoeiradas, um livro mágico e uma marionete que irá mudar a sua vida para sempre.
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O Cemitério da Arca do Morto, por Robson Gundim.

Sinopse: No conto “O Cemitério da Arca do Morto” embarcaremos em uma aventura ao lado dos irmãos piratas Annette e Vasseur Legrand: dois saqueadores que almejam fortunas a custo de qualquer esforço. A história é um prelúdio de uma saga de livros protagonizada por Annette, uma mulher corajosa e valente, externando a atmosfera fantástica dos clássicos romances sobre piratas e aventuras em alto mar. Nesse conto, os personagens passam por uma das maiores peripécias de suas vidas, envolvendo um assassinato, uma arca amaldiçoada e o despertar do lendário Cthulhu.
As maiores inspirações para o conto estão nos mitos de Cthulhu, do incrível HP Lovecraft, no livro “A Ilha do Tesouro” do escritor Robert Louis Stevenson, e nas séries Castlevania e Black Sails.


A volta dos irmãos Legrand será através desse conto repleto de reviravoltas. Para quem acompanhou "Entre o Céu e o Mar", se prepare, pois já estou trabalhando para o futuro da saga original, com novas edições e ilustrações!

Bem, pessoal, esses são alguns nomes dos autores que farão parte da antologia. Para conhecer mais a respeito da obra, não deixe de adquirir o seu exemplar! Para adquiri-lo, acesse a nossa loja!

Detalhes do produto:

Editora: Editora Pendragon

Autores: Amanda Novachi / Alisson RdS / Alex Redfield / Alexsandra Figueiredo / André Solidão / Brenda Ripardo / Camila Deus Dará / Cristy S. Angel / Denis Ibnez / Déborah Felipe / Diego Medeiros / Felipe Saraiça / Graci Rocha / Jéssica S. Albino / L. Matheus / Lucas Fernandes / Lucas Barbosa / Marco de Moraes / Natália Batista / Priscila Gonçalves / P.P França / Rita Pinheiro / Robson Gundim / Sayd Alcantara / Saulo Moreira

Edição: 1
Ano: 2017
Páginas estimadas: 150
Tipo de Capa: Brochura - Supremo 250g Com duas orelhas
Assunto: Literatura Nacional - Contos
Idioma: Português
Data de Lançamento: 10/09/2017


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Conto: Um grito na escuridão



Quem nunca gostou de uma boa história de terror? De aventurar-se em locais inóspitos e estranhos, como casas abandonadas, cidades fantasmas ou aldeias vazias... O desconhecido sempre fascinou o homem. Apaixonado por livros de grandes mestres como Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, escrevi um singelo conto em homenagem ao Stephen King, no ano de 2013, e o mesmo foi aceito para integrar a coletânea "The King", dividida em dois volumes na época. O meu conto chama-se "Um Grito na Escuridão", e de primeira mão, o divulgarei para todos lerem. Bons sustos.

Mansão Macabra (arte oficial do game Alone in the Dark IV)

“Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem.”
Stephen King

O casal parou o carro e saltou, observando sob um sol esplendoroso a altiva mansão. Eram donos de uma aparência jovial, embora o homem fosse mais velho. Ela, com um semblante análogo ao de uma boneca de porcelana e o corpo envolto num vestido de verão; beirava os vinte e sete anos, enquanto ele, tendo o rosto possuído pelas marcas da impaciência e a pele morena tostada pelo sol, estava acima dos trinta. Usava trajes convencionais, porém rústicos. Uma calça jeans repleta de remendos propositais e uma blusa de mangas cortadas, cujo emblema ressaltava a denominação da banda Skid Row.
Agnes continuou impressionada com a vista. Já Daniel demonstrou querer pular a parte do exame para descobrir quais segredos permeavam naquele solo místico e assustador, razão pela qual chegara ali. Fretara um veículo de algum conhecido e apanhara a namorada não muito tempo depois, dizendo-a, num riso escancarado, que o seu “entediante” domingo finalmente seria melhor. É claro que a aventureira Agnes aceitou a proposta sem hesitar, consciente de que subiriam a colina mais afastada da cidade e com as veias pulsando de emoção desbravariam uma lenda que há mais de um século se arrastava por entre os povos de sua terra.
“Casas sempre são interessantes”, pensou a moça, encarando o frontão do prédio. “Há aquelas que abrigam as famílias; onde a harmonia parece ser eterna, e há também as casas deprimidas; geralmente adormecidas em virtude do abandono ou, no caso desta, especialmente tristes por causa dos fantasmas do passado”.
No geral, a mansão não deixava de ser um domicílio comum, à exceção de sua beleza, quase que atemporal. Tinha a roupagem das antigas casas georgianas, com ornatos espiralados que pareciam criar vida cirandando sobre as portas de carvalho e estátuas de querubins adormecidos — senão mortos — dependurados em nichos vazios. Foi erguida na ponta de um penhasco, sendo sustentada por rochas pontudas e grosseiras que suportavam os paredões e as medianas torres. Um dia foi banhada pela nobreza, habitada por presenças notáveis e utilizada como referência nos altos escalões da sociedade. Hoje, descansava no abismo do silêncio, tendo como principal habitante uma gigantesca hera que crescera e invadira através das janelas.
— Vamos logo — apressou Daniel, um pouco à frente.
— Espera...
Agnes continuou hipnotizada e deslocou a face de cima para baixo, na direção da mata que afundava ao redor da construção. Percebeu que a floresta descia no embalo do declive, cobrindo as rochas e cascatas que moravam lá embaixo, com rumo ao inacabável.
O sentimento prazeroso e ao mesmo tempo macabro foi um fato veraz, mas a sensação causada pelo lugar, como supunha Agnes, fez-se presente em sua vida feito uma doença incurável. As árvores mais próximas, em galhos secos despontados, inclinavam-se em direção a casa. Daniel não soube explicar, mas ao encará-las sentiu um medo indescritível lamber-lhe o corpo e a alma.
— Se você quiser entrar comigo, é bom que venha logo, antes que eu me arrependa.
— Arrepender-se? — disse Agnes num risinho, com a testa franzida. — Acaso mudou de ideia? Ou será que está com medo da casa assombrada?
Visivelmente envergonhado, Daniel ignorou-a.
Ela subiu os degraus que davam para a porta da entrada e ficou ao lado dele, pensando de qual forma poderia entrar.
Ficaram em silêncio, tentando captar qualquer ruído que procedesse das entranhas da mansão. Não houve nenhuma resposta para a sua pergunta emudecida. A casa ainda dormia, estava entregue à quietude fantasmagórica que a ostentava.
— Como entraremos?
Respondendo à namorada, Daniel alçou os dois braços e empurrou a porta velha, que num rugido pedregoso e alongado escancarou-se.
O casal petrificou-se, deparado com a imagem resvalada em poeiras. Antes de darem o primeiro passo, entreolharam-se com seus glóbulos elevados e sorveram da atmosfera antiga, pensando se deveriam aceitar o chamado da casa, que acabara de despertar.
Agnes conseguiu escutar o ronco animalesco e o rugido quase oculto do bocejo; possivelmente vindo do andar superior, arrastando-se pelos corredores e pousando no cômodo em que estavam.
— Que lugar sinistro — comentou Daniel, caminhando lentamente sobre o piso do salão principal. — Flagra só esses móveis, as paredes, e aquelas escadas!
A sala era de uma amplitude descomunal e potencialmente mobiliada — uma mobília que fazia jus à fortuna da família que vivera ali. Havia pisos assoalhados, paredes revestidas por carvalhos e tapeçarias que deslizavam sobre os degraus da escadaria. O teto era enriquecido por lustres de ouro e prata, tendo ao centro uma grande cúpula vitrificada que reluzia ao fulgor do sol. A família a qual pertencera a poderosa propriedade — denominada Obed’s Manor — viera do estrangeiro. Alguns dos aldeões os conheciam muito bem, e por isso diziam que o velho Jeremy, o verdadeiro escultor de Obed’s Manor, fora um afortunado administrador em Boston. Engenheiro, com talento e sucesso ele fez muita fortuna a partir de seus projetos e conheceu, durante a sua mocidade, uma bela atriz de cinema da América do Sul. Os mais próximos alegaram que Jeremy não constituía apreço pelo sul, sendo a atriz a principal responsável por fazê-lo mudar-se para lá — o solo onde Agnes e Daniel demonstraram interesse e curiosidade. O que não esperavam, todavia, era senti-lo profundamente na própria alma, que lhes implorava num estertor absoluto para imediatamente saírem dali.
Na medida em que a namorada observava os contrastes nobres da mansão, Daniel sentia-se incomodado por uma força que lhe arrancava a paz. A ideia inusitada de invadir Obed’s Manor fora dele, mas uma terrível agonia o assaltava agora, gritando para reverter os passos e se ver livre das garras daquela diabólica morada. Uma de suas maiores teimosias, contudo, era não escutar o próprio instinto. Por essa razão, decidiu persistir no desvendamento de Obed’s Manor, o ambiente mais interessante que já conhecera...

O conto continua. Se você quiser saber o resto da história, acesse o meu perfil no Wattpad e leia o final de UM GRITO NA ESCURIDÃO.

Abraços,

Robson Gundim

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Castlevania - O feitiço sobre o caçador

Obs. Esta é uma fanfic que foi apresentada na última Bienal de SP, destacando aos leitores a importância de Castlevania para a minha saga literária.
Levar em consideração que o conto a seguir trata-se de uma homenagem a série Castlevania, honrando o caráter da mesma e apresentando uma teoria acerca dos atos que remetem a vida de Richter Belmont, no período entre o “Rondo of Blood” e o “Symphony of the Night” (desde a batalha contra Drácula até a loucura causada pelo feitiço do padre Shaft).


Ele era observado todos os dias pela esposa, que parada diante da casa, via-o desaparecer além da montanha, pongado na sela de um frisão.

Ela observava-o, apaixonada e orgulhosa, comparando-o aos filhos dos deuses do olimpo. Amava-o sobre todas as coisas, e não simplesmente por ele ter sido seu único salvador; nunca em toda sua vida sentira tamanha paixão e abstração por alguém. A imagem sempre se repetia, e ela se acostumara...

Ele subia a elevação, urrando para o animal, parecendo destinar-se ao paraíso (porque o sol descia no horizonte lhe desfocando lentamente), e enquanto isso, parada, ela deslizava a mão sobre o avental, embargada de saudades.

A imagem era linda e passageira, tal qual o fenômeno do entardecer. Naquele dia, contudo, as coisas mudaram drasticamente. Annette sabia que Richter cruzaria a montanha, e que não deixaria nenhuma pista de seu paradeiro ou qualquer previsão de sua volta.

Richter Belmont atingira uma fase da vida que é difícil de explicar com exatidão. Depois do 'acontecido' envolvendo a queda de um castelo que fora erguido no cume de um penhasco transilvaniano, ele sofreu uma terrível metamorfose. Seus hábitos nesse tempo se resumiam a cavalgar, trabalhar no campo e zelar pela segurança de Annette, que fora uma das vítimas trancafiadas em Castlevania – a morada do Conde Drácula.

Richter Belmont, dito por muitos dos aldeões como o último membro vivo de sua sagrada família, tem o rosto inocente; os olhos são de um azul lúdico e profundo, e raramente descansam. É alto, atraente, marcial, dotado de grandes habilidades e capaz de realizar incríveis esforços. Seus cabelos são de um tom louro mais tendido para acastanhado. Ele é descontraído, temerário e destemido. Muito respeitado pelos aldeões de Verossa, conseguiu tornar-se um guerreiro renomado por empurrar Drácula para o abismo e livrar sua terra de uma catástrofe colossal. Apesar do poder e da conquista, jamais trocou as terras férteis de seu campo pelas vias sinuosas das grandes cidades. Era uma das qualidades mais apreciadas por Annette.

Annette Renard foi salva por ele em uma noite de 1792, e junto a ela, uma garota de notáveis dons chamada Maria também foi resgatada. A pequena Maria passou a ser considerada por Annette uma verdadeira irmã. Andavam quase sempre juntas, fosse cuidando de sua casa de campo, visitando os vilarejos ou colhendo frutos e flores. Todos as admiravam, considerando o seu zelo e a forte união um raro exemplo de humanidade.

Por mais que ambas se assemelhassem física e até espiritualmente, não portavam o mesmo sangue. Mas essa questão não lhes conferia importância, porque o legítimo valor se encontrava na alma, em vez da carne.

Annette era uma moça de bons modos, delicada e formosa. Dona de uma beleza inesquecível. Seus olhos brilhavam como a luz do sol, e os cabelos louros cintilavam como se a noite não existisse. Para ela, a suprema dentre todas as belezas se encontrava na estrela da manhã, por essa razão venerava o sol nascente.

Maria recebeu o sobrenome de Annette após serem resgatadas por Richter. Daí por diante, a garota passou a seguir os passos e os atos da irmã mais velha por toda sua adolescência, até atingir tranquilamente a fase adulta.

Após sua conquista na batalha contra Drácula, Richter passou por uma fase complicada e agiu feito um homem velho e cansado, muito embora ainda estivesse na casa dos vinte anos. Nos fins dos dias, sentava-se numa velha cadeira que pertencera a seu pai, na varanda, e observava Annette, maravilhado. Sua esposa tinha um corpo escultural coberto por vestidos frondosos, e uma alma de camponesa que jamais deveria ser comparada a qualquer outra. Não sabia e não sentia-se capaz de externar aquilo que o fraquejava, apenas alimentava no peito o anseio de buscar respostas para suas dores.

Annette não o percebeu no começo, em virtude da expressão de felicidade que julgava ser franca no cenho de seu esposo.

Ele vivia entristecido por dentro, ao passo de que ela vivia feliz, sorrindo livremente, aspirando a grandeza do amanhecer e ensinando tudo o que lhe fora passado para Maria, sem ater-se aos sentimentos macambúzios do homem que com o passar dos dias foi perdendo o azul lúdico dos olhos.
Qual sentido havia naquela mudança tão estranha? Teria sido o grande esforço imposto na batalha? Ou quem sabe os pesadelos das noites invernais do Apuseni?

No primeiro ano após a batalha, Richter honrou os velhos hábitos – cavalgava, explorava as montanhas e zelava pelas mulheres de sua casa. Prestava serviços em nome da igreja, pagava um pequeno tributo ao império e garantia a fertilidade de suas terras. No entanto, a situação foi de mal a pior quando ele se escafedeu de casa após uma noite insone repleta de pensamentos incomuns. Esse fato ocorreu dois anos mais tarde. Annette dormia ao seu lado, abraçada ao seu corpo, quando ele a deixou; partiu meia hora antes do sol acender, fazendo com que Annette e Maria ficassem transtornadas.

Como eram muito saudáveis e haviam passado por diversas penúrias em Castlevania, as duas trajaram vestes de amazonas e apanharam dois cavalos velozes, partindo para todos os vilarejos a procura do jovem Belmont, que era famoso na região por ser um exímio caçador. Viraram noites em claro, clamando o nome de Richter por onde quer que fossem e chamando a atenção dos camponeses e ciganos que brotavam em sua estrada.

Passaram-se dias, semanas e meses... Nenhum sinal do guerreiro.

Cabisbaixas, as duas resolveram voltar para casa, antes que alguém a invadisse. Quando lá chegaram, foram tomadas pela surpresa; Richter havia regressado. Encontrava-se, todavia, numa situação precária e deplorável: a vestimenta rasgada, feridas espalhadas no corpo inteiro e sinais trágicos de luta sobre a pele tostada pelo sol. Os olhos estavam fragilizados – não tão azuis quanto aqueles cheios de água que obtinha – e uma sonolência arrasadora parecia apossar o seu espírito...


Para ler o conto completo, clique AQUI.