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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Castlevania - O feitiço sobre o caçador

Obs. Esta é uma fanfic que foi apresentada na última Bienal de SP, destacando aos leitores a importância de Castlevania para a minha saga literária.
Levar em consideração que o conto a seguir trata-se de uma homenagem a série Castlevania, honrando o caráter da mesma e apresentando uma teoria acerca dos atos que remetem a vida de Richter Belmont, no período entre o “Rondo of Blood” e o “Symphony of the Night” (desde a batalha contra Drácula até a loucura causada pelo feitiço do padre Shaft).


Ele era observado todos os dias pela esposa, que parada diante da casa, via-o desaparecer além da montanha, pongado na sela de um frisão.

Ela observava-o, apaixonada e orgulhosa, comparando-o aos filhos dos deuses do olimpo. Amava-o sobre todas as coisas, e não simplesmente por ele ter sido seu único salvador; nunca em toda sua vida sentira tamanha paixão e abstração por alguém. A imagem sempre se repetia, e ela se acostumara...

Ele subia a elevação, urrando para o animal, parecendo destinar-se ao paraíso (porque o sol descia no horizonte lhe desfocando lentamente), e enquanto isso, parada, ela deslizava a mão sobre o avental, embargada de saudades.

A imagem era linda e passageira, tal qual o fenômeno do entardecer. Naquele dia, contudo, as coisas mudaram drasticamente. Annette sabia que Richter cruzaria a montanha, e que não deixaria nenhuma pista de seu paradeiro ou qualquer previsão de sua volta.

Richter Belmont atingira uma fase da vida que é difícil de explicar com exatidão. Depois do 'acontecido' envolvendo a queda de um castelo que fora erguido no cume de um penhasco transilvaniano, ele sofreu uma terrível metamorfose. Seus hábitos nesse tempo se resumiam a cavalgar, trabalhar no campo e zelar pela segurança de Annette, que fora uma das vítimas trancafiadas em Castlevania – a morada do Conde Drácula.

Richter Belmont, dito por muitos dos aldeões como o último membro vivo de sua sagrada família, tem o rosto inocente; os olhos são de um azul lúdico e profundo, e raramente descansam. É alto, atraente, marcial, dotado de grandes habilidades e capaz de realizar incríveis esforços. Seus cabelos são de um tom louro mais tendido para acastanhado. Ele é descontraído, temerário e destemido. Muito respeitado pelos aldeões de Verossa, conseguiu tornar-se um guerreiro renomado por empurrar Drácula para o abismo e livrar sua terra de uma catástrofe colossal. Apesar do poder e da conquista, jamais trocou as terras férteis de seu campo pelas vias sinuosas das grandes cidades. Era uma das qualidades mais apreciadas por Annette.

Annette Renard foi salva por ele em uma noite de 1792, e junto a ela, uma garota de notáveis dons chamada Maria também foi resgatada. A pequena Maria passou a ser considerada por Annette uma verdadeira irmã. Andavam quase sempre juntas, fosse cuidando de sua casa de campo, visitando os vilarejos ou colhendo frutos e flores. Todos as admiravam, considerando o seu zelo e a forte união um raro exemplo de humanidade.

Por mais que ambas se assemelhassem física e até espiritualmente, não portavam o mesmo sangue. Mas essa questão não lhes conferia importância, porque o legítimo valor se encontrava na alma, em vez da carne.

Annette era uma moça de bons modos, delicada e formosa. Dona de uma beleza inesquecível. Seus olhos brilhavam como a luz do sol, e os cabelos louros cintilavam como se a noite não existisse. Para ela, a suprema dentre todas as belezas se encontrava na estrela da manhã, por essa razão venerava o sol nascente.

Maria recebeu o sobrenome de Annette após serem resgatadas por Richter. Daí por diante, a garota passou a seguir os passos e os atos da irmã mais velha por toda sua adolescência, até atingir tranquilamente a fase adulta.

Após sua conquista na batalha contra Drácula, Richter passou por uma fase complicada e agiu feito um homem velho e cansado, muito embora ainda estivesse na casa dos vinte anos. Nos fins dos dias, sentava-se numa velha cadeira que pertencera a seu pai, na varanda, e observava Annette, maravilhado. Sua esposa tinha um corpo escultural coberto por vestidos frondosos, e uma alma de camponesa que jamais deveria ser comparada a qualquer outra. Não sabia e não sentia-se capaz de externar aquilo que o fraquejava, apenas alimentava no peito o anseio de buscar respostas para suas dores.

Annette não o percebeu no começo, em virtude da expressão de felicidade que julgava ser franca no cenho de seu esposo.

Ele vivia entristecido por dentro, ao passo de que ela vivia feliz, sorrindo livremente, aspirando a grandeza do amanhecer e ensinando tudo o que lhe fora passado para Maria, sem ater-se aos sentimentos macambúzios do homem que com o passar dos dias foi perdendo o azul lúdico dos olhos.
Qual sentido havia naquela mudança tão estranha? Teria sido o grande esforço imposto na batalha? Ou quem sabe os pesadelos das noites invernais do Apuseni?

No primeiro ano após a batalha, Richter honrou os velhos hábitos – cavalgava, explorava as montanhas e zelava pelas mulheres de sua casa. Prestava serviços em nome da igreja, pagava um pequeno tributo ao império e garantia a fertilidade de suas terras. No entanto, a situação foi de mal a pior quando ele se escafedeu de casa após uma noite insone repleta de pensamentos incomuns. Esse fato ocorreu dois anos mais tarde. Annette dormia ao seu lado, abraçada ao seu corpo, quando ele a deixou; partiu meia hora antes do sol acender, fazendo com que Annette e Maria ficassem transtornadas.

Como eram muito saudáveis e haviam passado por diversas penúrias em Castlevania, as duas trajaram vestes de amazonas e apanharam dois cavalos velozes, partindo para todos os vilarejos a procura do jovem Belmont, que era famoso na região por ser um exímio caçador. Viraram noites em claro, clamando o nome de Richter por onde quer que fossem e chamando a atenção dos camponeses e ciganos que brotavam em sua estrada.

Passaram-se dias, semanas e meses... Nenhum sinal do guerreiro.

Cabisbaixas, as duas resolveram voltar para casa, antes que alguém a invadisse. Quando lá chegaram, foram tomadas pela surpresa; Richter havia regressado. Encontrava-se, todavia, numa situação precária e deplorável: a vestimenta rasgada, feridas espalhadas no corpo inteiro e sinais trágicos de luta sobre a pele tostada pelo sol. Os olhos estavam fragilizados – não tão azuis quanto aqueles cheios de água que obtinha – e uma sonolência arrasadora parecia apossar o seu espírito...


Para ler o conto completo, clique AQUI.






segunda-feira, 30 de junho de 2014

Personagem especial: Adrian

A postagem de hoje será em homenagem ao personagem inédito que acaba de ganhar espaço na saga Entre o Céu e o Mar. O misterioso capitão em questão é dono de muitas façanhas, mistérios e denominações. Dizem as más línguas que a sua Nau é amaldiçoada. Nada sabemos sobre ele, senão que é um pirata que velejou por anos e conseguiu escapar do mar negro em busca do desbravamento do mundo. Não podemos descrever suas ambições, tampouco seus maiores anseios... O que Adrian sente, na verdade, sequer pode ter nome.
Apertem os cintos e se preparem para conhecer o misterioso capitão que arrancou profundas atenções de Annette em uma de suas aventuras marítimas.


Para melhor entender o caráter dessa postagem, sugiro ao tripulante que visite a matéria especial sobre os personagens principais AQUI, onde conhecemos melhor a história de Annette e Richter e, além disso, suas principais influências.
Curiosamente falando, Adrian não foi um personagem primordial como os demais. A intenção de criá-lo e inseri-lo no mundo de Entre o Céu e o Mar surgiu com a ideia de um Spin Off (um volume à parte, sem contudo comprometer aos demais livros), onde mergulharemos em um dos capítulos venturosos dos irmãos Legrand quando viveram perigosamente no Caribe. A posição de Adrian nesse volume deslumbra qualquer um. Não podemos dizer com clareza quem ele é... Muito menos tentar afirmar de onde ele veio (embora haja uma pista no volume UMA ODISSEIA ALÉM DO OCEANO, que aponta como berço as lendárias terras da Transilvânia). Há rumores de que Adrian ocupa duas identidades, que é filho de um bruxo e dono de uma fortuna inestimável (aparentemente, parte dela está enterrada em alguma ilha do pacífico). No decorrer da trama, muitas perguntas serão feitas acerca da sua existência. E quais serão seus passos ou atitudes? Por qual desordem do destino, Annette Legrand irá ao seu encontro? A personalidade, os sentimentos e os atos de Adrian estão unidos em um caldeirão que exala o mais obscuro poder do mal. Será ele um pirata amaldiçoado? Uma criatura impiedosa, cuja desumanidade levara centenas de homens a enxergá-lo como tal?


Como dito anteriormente, embora o volume seja independente, o mesmo carregará algumas informações não tão visíveis dos livros anteriores; pequenos detalhes que, talvez, possam ter passado por despercebido aos seus olhos. Contaremos, é claro, com a presença de alguns personagens já conhecidos além da Annette e do Vasseur. O título do volume já existe, mas será interessante mantê-lo em segredo até que o livro seja finalizado (não devemos esquecer que cada capítulo apresentará uma ilustração inédita).
Na página oficial de Entre o Céu e o Mar já estão sendo divulgadas algumas artes com o Adrian incluso, e da mesma maneira já divulgamos algumas raízes por trás da sua criação. O lendário capitão é um tributo a um personagem clássico da literatura do horror, com fortes ligações externas. Confiram abaixo algumas artes do Adrian já divulgadas! Todos os quadros farão parte do Artbook Oficial que será apresentado na Bienal de SP em agosto:



Eliane Pupo, a vencedora do sorteio Você e os personagens de Entre o Céu e o Mar (uma promoção que te deixa bem pertinho dos personagens) escolheu um desenho original ao lado do Adrian, e vejam de primeira mão o processo da arte que marca esse encontro fantástico entre o leitor e o personagem! A Arte é tradicional, feito com lápis 6B e tinta nanquin, 100% manual:


Assim como Annette, Vasseur, Richter, Charlotte e outros guerreiros, Adrian também é inspirado em uma pessoa real para as artes oficiais. Conheçam o Capitão Adrian da vida real, o modelo romeno Andrei Andrei:
Website oficial: http://www.andreiandrei.com
Espero que todos os tripulantes tenham gostado da postagem!
Que os mares estejam calmos e os levem em segurança (antes que a nau do Adrian apareça em seu caminho).
Um abraço!
Robson Gundim




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Por trás das faces dos personagens

Hoje lhes apresento um assunto que eu particularmente adoro abordar: as referências e as maiores curiosidades sobre um livro. E desde já lhes adianto que este assunto interessante será frequentemente utilizado aqui no blog, devido a imensa bagagem de informações acerca das minhas influências e paixões. Os personagens retratados aqui serão os dois principais. E não coloquei os demais por serem menos importantes; como a Annette e o Richter lideram no topo da montanha e possuem mais curiosidades que os outros, foi mais sensato começar pelo casal. Tudo bem? Então se aconcheguem, preparem um tema instrumental e relaxem, a postagem vai começar!

Richter Belmont e Annette Legrand

Toda boa obra — pelo menos a maioria — provém de alguma influência, seja literária, artística, musical, cinematográfica, ou mesmo os quatro fatores (que é o meu caso!). Como um seguidor fiel dessas artes, atravessei todo o período da minha infância curtindo bons livros, boas músicas, bons quadrinhos, bons jogos também e, é claro, bons filmes. Tudo o que eu vivi de extraordinário através dessas paixões contribuiu para o nascimento de uma paixão ainda maior e mais forte; a escrita e o desenho. E foi aí que eu percebi que nenhuma barreira se interpolaria em meu caminho se eu tão simplesmente pensasse, esboçasse algo e disciplinadamente escrevesse. (Obviamente enfrentei muitos bloqueios criativos, no entanto eram por vezes corriqueiros, e como eu era muito novo, não me importava com as imperfeições dos textos!). Lendo, observando, ouvindo, jogando e assistindo toda aquela “mescla cultural”, eu aprendi a lidar melhor com os personagens e a compreendê-los posteriormente, muito embora eu ainda necessitasse de mais aprendizado para chegar aonde eu almejava.


A questão é que meus personagens principais de ENTRE O CÉU E O MAR – NOS MONTES DA INOCÊNCIA nasceram diretamente dessa fonte que havia sido preenchida lá atrás; e foi em meados de 2002 que eu iniciei o prospecto do livro (se eu não me engano, no segundo semestre do ano, e nessa época eu tinha 13 anos). Comecei a imaginar parte da trama e a observar os dois personagens em ação (que nesse caso eram a Annette e o Richter). Ambos vieram diretamente da “mescla cultural” que tanto me fascinava, impulsionando-me a matutar mais e a estudar uma forma de mantê-los originais — e vivos. Hoje quando eu paro no tempo e me recordo daqueles momentos tão únicos, dou risada sozinho e confesso a mim mesmo o quão perfeita foi a minha infância. Algo, talvez, até banal a outros olhos, mas aqueles instantes fizeram, fazem e farão parte da minha história de vida até o dia em que eu me for. Eu enxergava meus personagens, de olhos fechados, e escutava a trilha de suas histórias. Tudo parecia certo, perfeito. Eu só precisava do ajuste, da caneta... e do papel.

Richter Belmont, Castlevania (1997)
É amplamente interessante ressaltar que desde o primeiro momento, mesmo quando o livro se tratava de um embrião, eu já alimentava a ideia de torná-lo real com algumas ilustrações, pois o desejo de fazer com que o mundo enxergasse a Ann e o Rich exatamente da maneira a qual eu enxergava, se fortalecia dentro de mim; e por uma questão de palavra e honra — momento drama — eu tinha de fazê-lo. E a ideia de ilustrar surgiu por causa de duas influências... A primeira porque eu já desenhava com frequência (bem tortinho, diga-se de passagem rsrs); e a segunda porque eu jogava Castlevania (uma série maravilhosa que me conquistou a primeira vista em todos os sentidos e contribuiu muito para a minha escrita) e um dos personagens centrais logo me chamou a atenção (aos fãs, me perdoem, mas não foi o Alucard), sim; eu estou falando do próprio Richter Belmont.

Eu tenho quase certeza (99% de certeza, pois ainda acredito na possibilidade de algum outro ser humano pensar igual a mim nesse sentido) que quase NINGUÉM enxergou Castlevania do modo o qual eu enxerguei (talvez por essa razão eu me inspirei em um jogo taxado de “terror-aventura” para escrever um romance?)... Não sei. Mas voltando ao tema do post, mesmo sabendo que eu poderia inserir anteriormente um terceiro motivo, falarei agora sobre o escritor brasileiro Marcos Rey, que também me inspirou bastante. Ele integrou a antiga série literária Vaga-Lume, da clássica Editora Ática (fez um enorme sucesso nas escolas e nas bancas), e todos os livros de sua coletânea eram ricamente ilustrados, desde a capa até os capítulos! Pense no prazer que era ler aquelas historinhas cheias de aventura e suspense acompanhadas por imagens ilustrativas? Era demais! E isso me iluminou tanto, que eu não conseguia imaginar mais o meu futuro livro sem a presença brilhante das ilustrações (que por sinal, seriam feitas por mim também, ainda que saíssem tortinhas).

O livro de Marcos Rey ao lado do meu... Vejam as ilustrações!

Eu me lembro que somente em 2003, quando eu já era um seguidor fiel de Castlevania (eu encontrei a saga em 2001), conheci duas grandes atrações do cinema, que foram “Piratas do Caribe 1” (onde eu conheci a lindíssima Keira Knightley), e a série de TV “Tarzan”, (eu já tinha conhecimento da obra literária, pois havia assistido alguns filmes antigos e também ao clássico da Disney, que é um dos meus filmes de desenho favoritos).
A trama de Tarzan sempre foi uma das minhas prediletas. Eu gosto desse tema selvagem, estilo King Kong, onde "homem" e "fera" batalham e lideram no mesmo campo, cujos cenários nos transportam para as savanas imaginárias, africanas ou as selvas primitivas. Ressalto aqui a obra LENDAS DO OUTONO, de Jim Harrison, que apesar de não abordar nada sobre a África, nos conta quase que poeticamente uma história sobre a distinção entre o homem e o animal (Um guerreiro criado em território indígena ao lado de um urso). Vale muito a leitura... Mas enfim, voltando ao Tarzan, o livro é perfeito, um dos mais tocantes e psicologicamente “humanos” que eu já li. A série de TV, no entanto, não foi tão memorável assim, até porque a produção trouxe o Tarzan para os nossos tempos, e para piorar; deixou-o no coração de Nova Iorque, perdido nas grandes avenidas, enquanto Jane Porter, uma detetive, resolvia alguns casos na grande cidade... Apesar desse absurdo completo, a série me conquistou, pois os personagens eram carismáticos e as reviravoltas conseguiam mantê-la sempre ao ar. Era estrelada por Travis Fimmel e só teve uma temporada (foi cancelada no fim do ano).

Quem já leu o meu livro, precisamente falando de NOS MONTES DA INOCÊNCIA (2013), sabe que o Richter é um homem bastante reservado, misterioso, dono de uma forte personalidade e possui uma forte ligação com a natureza. Richter é, claramente, tanto uma homenagem ao Tarzan, quanto ao próprio Richter Belmont de Castlevania, por nutrir esses predicados que o classificam, por vezes, uma criatura “sobre-humana”. Na série Castlevania, Richter é um guerreiro sagrado, descendente de uma família abençoada que destinou-se a aniquilar o Conde Dracula, na Transilvânia (a estória é repleta de aventura, fantasia e muitas influências do livro de Bram Stoker). Em NOS MONTES DA INOCÊNCIA, Richter nasce trazendo em seu peito uma cicatriz em forma de cruz, motivo pelo qual muitos o classificam uma criança abençoada. Ele já nasce órfão, em uma cidade fictícia da Transilvânia, na região montanhosa dos Montes Apuseni, e vai viver em um rancho sob os cuidados de Loweed Schwartz (quem o adota a pedido da falecida mãe), e cresce livremente ao lado de uma garotinha chamada Annette Legrand.

Annette Legrand é uma personagem forte e especial, no entanto sem muitas raízes referenciais quanto o Richter. Ela basicamente representa a mulher guerreira de sua época por N fatores (não posso destacar todos eles em pormenores, mas quem leu UMA ODISSEIA ALÉM DO OCEANO sabe do que eu estou falando). Annette — e o leitor precisa saber — é a personagem do bem. Ela faz o bem e carrega uma alma bondosa. Devido a alguns empecilhos, ela sofrerá drásticas perdas e passará por uma mudança radical, a ponto de se transformar em uma saqueadora e desbravar os mares na companhia de terríveis piratas (entendam aqui agora a influência de Robert Louis Stevenson). Mas o fato é que Annette e Richter juntos integram "o casal" do livro, e por vezes,  eles enfrentam algumas diferenças... Ela veio de um berço aristocrata, estudou na cidade grande, noivou-se com um herdeiro de um conde e, apesar de amar Richter, ela mantém e respeita seu laço com o noivo. Quando adulta regressa ao rancho onde passou parte da infância, e assim descobre que estar com Richter é o mesmo que estar “desacorrentada” da esfera radical da sociedade. A loura que futuramente atravessará o mundo com piratas não quer ser dona de casa, casar em uma igreja e ser mãe. A loura quer cavalgar; quer correr sobre os campos; escalar as montanhas; caçar no interior das matas e visitar os bares na companhia de Richter (por sinal, o Richter aqui é um formidável caçador).

Na série Castlevania, a esposa de Richter chama-se “Annette Renard”, e eu adotei seu pré-nome à minha personagem para honrar essa união. Como um fã, eu não gostaria de ler um livro atual que, em cujo tributo ao Burroughs, a personagem da Jane encontra e se apaixona por algum homem de nome distinto ao de John Clayton ou Tarzan, pois certamente desonraria a obra original (opinião minha). Contudo, se trata de uma homenagem. Eu poderia criar uma história de artes marciais, com personagens chineses, e nomeá-los de Jane e Tarzan, e ainda assim muitos entenderiam a jogada. Mas apesar disso, meus personagens são muito diferentes e externam seus próprios predicados e personalidades...
Assim nasceu então o casal principal da minha primeira saga literária, e a partir daí, conforme o avançar do tempo e do meu aprimoramento como escritor e desenhista, comecei a trabalhar na parte artística do livro, mesmo sem antes tê-lo finalizado (ainda faltavam muitas coisas mesmo). No ano seguinte ao qual eu dei início ao prospecto do livro, em 2003, eu conferi, em um daqueles trailers de filmes que vinham nos extras dos DVDs originais, um teaser do mais novo filme de Quentin Tarantino: Kill Bill volume 1, e jamais imaginaria que, tempos mais tarde, estaria eu me tornando um dos fãs mais “fanáticos” desse diretor visionário e “insano”. Em 2004 vi Kill Bill nas telonas e foi inesquecível! Eu não preciso dizer que Kill Bill é um filme AMPLAMENTE rico em termos técnicos, e do mesmo modo em termos no que diz respeito as referências datadas por Tarantino. (Eu poderia escrever um livro inteiro sobre as cenas e os personagens que o filme homenageou, mas sinto que o leitor já sabe de tudo!) E nem foi bem essa parte de Kill Bill que me encantou de cara... Foi a fotografia e o visual do filme; o estilo tarantinesco e o meu amor a primeira vista. Os takes... As cores... As trilhas sobrepondo os momentos mais tensos... Tudo aquilo me fascinou a nível hard e me elevou ao quadrado.

Eu precisava ilustrar meu livro mais do que tudo agora, levando um pouquinho daquela marca de Tarantino (algo meio dramático que retratasse o teatro, ou mesmo simbólico, como os cenários preenchidos por determinadas cores e tons, que eram o fundo). O cinema, definitivamente, entrou na minha vida como uma inspiração, porque eu já conseguia (e tinha a proeza também) de enxergar meu livro como um filme — mesmo sem ser um filme — e daí veio-me a mente a ideia de utilizar atores reais para serem meus personagens... (Como assim, Rob? Ficou doido?) Não. Eu acho que não fiquei. Eu estudaria minuciosamente as faces dos meus atores favoritos, e a partir dos rostos deles — como ocorre nos modelos para personagens de jogos ou quadrinhos — eu desenharia os guerreiros que domariam as páginas do meu livro. Essa ideia perdurou por anos na minha mente, por muito tempo mesmo, até eu concluir o livro em 2012 e FINALMENTE iniciar as artes oficiais. Mas antes eu já havia feito muitos rabiscos, model sheets e testes com um “elenco” que eu havia selecionado ainda há muito tempo. O elenco completo de alguns personagens eu deixarei no final da postagem, mas explicarei aqui sobre a semelhança do nosso casal principal com os dois atores centrais.

Confiram abaixo — e em detalhes — as maiores similaridades deles com os respectivos atores.


Annette Legrand / Keira Knightley



Eu conheci a Keira Knightley (como todos já devem supor) no super bem sucedido Piratas do Caribe 1, em 2003. E seus cabelos louros e olhos profundos me encantaram intensamente, a ponto de me fazer enxergá-la como minha Annette! Na época eu não pensava muito a respeito, mas com o passar do tempo, conforme a Keira foi fazendo outros grandes papeis em diferentes e belíssimos filmes (tal qual Rei Arthur, Orgulho e Preconceito, e a continuação da saga de Piratas, por exemplo), eu decidi finalmente desenhar seu rosto para ilustrar minha personagem. Além de muito bonita, Keira sempre me transpareceu simpatia e humildade, e esse pequeno “desprezo” dela pela publicidade me encanta, de alguma forma... Há, é claro, outras particularidades, o que tornou a influência ainda mais inspiradora. Keira nasceu na Inglaterra, adora literatura clássica, transformou-se em um verdadeiro ícone em filmes de época, viveu grandes personagens literários (desde Elizabeth Benneth à Anna Karenina) e conquistou numerosos fãs com sua personagem pirata, a Srta. Swann. Como não escolhê-la? Ela era a atriz per-feita para ser, nas folhas de ENTRE O CÉU E O MAR, a aventureira Srta. Legrand!


Richter Belmont / Travis Fimmel
Foto de Travis por Tony Duran, Flaunt Magazine (2014)


Coincidentemente eu conheci o Travis Fimmel em 2003, no seriado de Tarzan que citei ainda há pouco. Travis, ao contrário da Keira, não seguiu a carreira tão firmemente após o seriado cancelado (mas logo o leitor irá entender). Sempre o considerei um bom ator (e hoje existem muitos trabalhos para comprovarem isso), carismático e muito simpático, e carrega um pouco desse caráter misturado ao absoluto fascínio pela natureza, atributos do meu personagem. Travis nasceu no interior da Austrália e só conseguiu a oportunidade de atuar após realizar uma série de campanhas como modelo para a Calvin Klein. No entanto, o negócio do futuro ator não estava pautado na moda. Ele conseguiu o papel de John Clayton no seriado Tarzan e, assim, ingressou nas aulas de teatro. Após o término da série, regressou a Austrália para a fazenda de seus pais e, desde então, só deixa o lar para a realização de alguns filmes. Em uma entrevista para a revista Flaunt desse mês, ele respondeu:

“I love the country. It’s hard to explain. When you grow up in the country you just enjoy it so much. I love animals and I love trees and anything country.” 
“Eu amo o campo. É difícil explicar. Quando você cresce no campo você gosta tanto. Eu amo animais e eu amo arvores e tudo que envolve o campo.”

Travis vive atualmente nesse mesmo rancho, e lidera o engenhoso cast de uma das mais conhecidas séries de TV chamada “Vikings” (que por sinal, é uma série extraordinária, com um impecável fundo histórico, abrangendo muitas navegações, cultura nórdica e batalhas navais!). Sem sombra de dúvidas, mesmo após ocorrer quase dez anos desde a escolha para ser o indomável Richter, o Travis valeu a pena!


Assim como outros atores que me serviram de inspiração nas artes, Travis Fimmel obteve conhecimento da existência de um desenho de Richter por meio da nossa querida internet. Mas ainda mantenho o sonho de poder apresentar, não somente a ele, mas a Keira e aos demais artistas que muito longe se encontram, os singelos traços das vidas que eles contribuíram para serem retratadas em ENTRE O CÉU E O MAR.

Confiram agora todos os atores que eu homenageei no trabalho artístico contido nos três livros, tanto nos dois volumes de NOS MONTES DA INOCÊNCIA quanto no único UMA ODISSEIA ALÉM DO OCEANO:

Vasseur Legrand — Gaspard Ulliel
Adele — Maia Morgenstern
Loweed Schwartz — Anthony Hopkins
Vincent Martinez — Bill Nighy
Nicholas Willefort — Rupert Friend
Charlotte Renard — Alina Vacariu
Megan Wilde — Elena Anaya
Jack Bennett — Guy Pearce
William Angkatell — Rupert Evans

Espero que tenham curtido a postagem de hoje, tripulantes!
Até a próxima!

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